2.9.14

o corpo de um poema


coragem_cat power

de repente se passam todos os desencontros
me sinto acolhida
os olhares são doces e o toque das mãos sinceros
me pego enredada numa lembrança e em outra
como se estivesse apaixonada
me estranho
dou um sorriso
sigo desconfiada

como é bom sentir os passos numa direção que nos trás sentido
o tempo escoa, foge
sinto a mesma sensação dos pontos de encontro da vida
comigo
com algum sonho
com uma descoberta

e tudo isso está diluído
em corpos
palavras
razão
coração

tão concentrado
que não deixa medo

olho tanto tempo
o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
pra me perder no que se quer de essência,
sonho
ou confusão

27.8.14

soltar


Rio Pequeno





pouco, pouco tempo
solto.
num espaço indefinido
de pertencimentos perdidos,
soltos.
de palavras fortes e doces,
versos e músicas,
soltas.

voz rouca, garganta seca,
peito cheio.
suga o ar por dez segundos,
dez,
respira...
e solta.

canta alto ou murmurando,
esquece a letra,
enrola.
tanto, tanto tempo
e espaço
solto.

fala sobre as mesmas coisas,
se repete
até se convencer.
converter-se.
livrar-se do ar,
do peso,
do corpo.


24.8.14

toda amplificação


imagem de Above It All

depois de tanto tempo fora da rotina
                                          do chão
                sem parâmetros
                       previsão
            algo no peito se abre

o medo já não é de sair
                      é de voltar

os altos e baixos da ansiedade
                nos levam longe
                nos sonhos
                                  na sorte
                                           de ainda acreditar no melhor

cuidando do que há de humano
                               de vida
                               de verdadeiro
                                            nesse grande jogo de impasses

o caminho do meio ficou para trás
         todas as pessoas são outras
                          e cada passo é desafio
                                                  aos limites
                                                  ao desapego

toda amplificação tem algo de parecido
                                         de exagero
                                                      de devaneio
                                                                         de mim

29.7.14

cinema de madrugada



(ainda aproveitando a pausa)

sobre amor de irmã
sobre a falta de um amor
sobre dormir quentinha (rs!)
sobre brincar de encenar e não saber parar

sobre se apaixonar e não ter coragem de contar
sobre amores utópicos
e sonhos reais

eu sei que a vida não acontece como nos filmes
que o meu melhor amigo não vai ser o meu amor
que a minha irmã não vai morar comigo
que a nossa casa de campo não vai ser a mais quente e confortável, se conseguirmos chegar até lá...

mas de repente, em algum lugar
devem existir pessoas sozinhas em suas casas
que sejam tão especiais
que tenham irmãs ou irmãos para dividir o seu melhor e o seu pior
e que por isso mesmo o amor é tão grande

nos meus sonhos de criança
onde todos davam as suas fortunas para dividir entre todos os outros por igual
todos brincam de um joquempô maluco
trocam e destrocam de lugar
até que de algum jeito bem bagunçado
só resta amar a todo mundo

**
inspiração/culpa do cinema de madrugada e de toda cultura pop romântica de confusões com finais felizes, que eu juro, estou empenhada em me livrar, mas vivo tendo umas recaídas ;)

***
ah, mas enquanto isso, de um jeito ou de outro, ainda sigo as convicções dos sonhos e da infância, muitas outras coisas acontecem e todo tipo de jogo, verdade ou desafio. vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas sempre aprendendo a jogar. sempre.

****
boa noite!

23.6.14

acordos





a gente segue em frente, segue e segue. fazendo escolhas no susto, pensando até quase enlouquecer nos senões, tantos, e seguimos mesmo assim.

os dias passam e as noites são cheias de sonhos vivos. os anos chegam e não somos mais tão jovens... e daí!? rs

pessoas que faziam parte do nosso cotidiano, estão em outro lugar, longe. pessoas de quem precisávamos estar longe por um tempo, se tornam cada dia mais essenciais.

vazios deixam de ser um espaço para dúvidas e sentimentos confusos, passam a ser apenas espaço.

aprendemos a viver com o tempo e com o ritmo próprio de cada coisa, cada sentimento, fase, humor, necessidade, vontade, sonho.

e a busca nunca deixa de acelerar nossos corações, de ofegar a respiração.

o caminho ganha cores e texturas. aprendemos palavras e já não podemos imaginar nossas vidas sem elas: tessitura, soslaio, bugre, translação, arrebol, Darjeeling.

são novos acordos que fazemos, reafirmando ou reorientado versos.
uma eterna conversa em recortes de cenas, fotos, diálogos, palavras, reescritos por diferentes poetas, compondo uma trajetória que nos garanta algum amparo.

está bem, então vamos fazer mais esse acordo:
a. amanhã vamos acordar cedo para aproveitar a companhia um do outro.
b. vamos parar de nos lamentar, isso não é muito atraente.
c. faremos planos para o futuro.

concordamos com isso?

continua...