29.7.14

cinema de madrugada



(ainda aproveitando a pausa)

sobre amor de irmã
sobre a falta de um amor
sobre dormir quentinha (rs!)
sobre brincar de encenar e não saber parar

sobre se apaixonar e não ter coragem de contar
sobre amores utópicos
e sonhos reais

eu sei que a vida não acontece como nos filmes
que o meu melhor amigo não vai ser o meu amor
que a minha irmã não vai morar comigo
que a nossa casa de campo não vai ser a mais quente e confortável, se conseguirmos chegar até lá...

mas de repente, em algum lugar
devem existir pessoas sozinhas em suas casas
que sejam tão especiais
que tenham irmãs ou irmãos para dividir o seu melhor e o seu pior
e que por isso mesmo o amor é tão grande

nos meus sonhos de criança
onde todos davam as suas fortunas para dividir entre todos os outros por igual
todos brincam de um joquempô maluco
trocam e destrocam de lugar
até que de algum jeito bem bagunçado
só resta amar a todo mundo

**
inspiração/culpa do cinema de madrugada e de toda cultura pop romântica de confusões com finais felizes, que eu juro, estou empenhada em me livrar, mas vivo tendo umas recaídas ;)

***
ah, mas enquanto isso, de um jeito ou de outro, ainda sigo as convicções dos sonhos e da infância, muitas outras coisas acontecem e todo tipo de jogo, verdade ou desafio. vivendo e aprendendo a jogar, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas sempre aprendendo a jogar. sempre.

****
boa noite!

23.6.14

acordos





a gente segue em frente, segue e segue. fazendo escolhas no susto, pensando até quase enlouquecer nos senões, tantos, e seguimos mesmo assim.

os dias passam e as noites são cheias de sonhos vivos. os anos chegam e não somos mais tão jovens... e daí!? rs

pessoas que faziam parte do nosso cotidiano, estão em outro lugar, longe. pessoas de quem precisávamos estar longe por um tempo, se tornam cada dia mais essenciais.

vazios deixam de ser um espaço para dúvidas e sentimentos confusos, passam a ser apenas espaço.

aprendemos a viver com o tempo e com o ritmo próprio de cada coisa, cada sentimento, fase, humor, necessidade, vontade, sonho.

e a busca nunca deixa de acelerar nossos corações, de ofegar a respiração.

o caminho ganha cores e texturas. aprendemos palavras e já não podemos imaginar nossas vidas sem elas: tessitura, soslaio, bugre, translação, arrebol, Darjeeling.

são novos acordos que fazemos, reafirmando ou reorientado versos.
uma eterna conversa em recortes de cenas, fotos, diálogos, palavras, reescritos por diferentes poetas, compondo uma trajetória que nos garanta algum amparo.

está bem, então vamos fazer mais esse acordo:
a. amanhã vamos acordar cedo para aproveitar a companhia um do outro.
b. vamos parar de nos lamentar, isso não é muito atraente.
c. faremos planos para o futuro.

concordamos com isso?

continua...


26.5.14

um post bem humorado, meio revoltado... solto pelas ventas ;)


colagem de singh bean


pós vida
pós namoro
pós graduação
pós respiração

pós férias
pós praia
pós feriado

pós exatidão
pós camaleão
pós homem
mulher-transmutação

pós é o caraleo
pós de merda
pós filha da puta

...

namoros breves com pessoas loucas
se trocar os nomes ainda posso ser processada?

...

quantas vezes você consegue ouvir a mesma música?

...

quantas vezes seguidas?


19.5.14

especialidades




minhas especialidades:

amores inventados
sentir falta de ar
dormir tarde
espreguiçar
mergulhar em ondas espumantes, geladas e bravas
paixões platônicas por pessoas, personagens, filmes, livros e sonhos
cortar e colar papel
me apaixonar pelo amor
olhar o céu
costurar
cantarolar baixinho
consertar coisas e sentimentos
sentir ciúmes
comer chocolates
boiar
embrulhos de presente
viajar
misturar cores

ensimesmar

24.4.14

além-mar


adara sánchez anguiano


amor sentido
é se deparar com as barreiras do tempo e do espaço
da rotina
da saída

vou brincando de fazer ficção ou poema da nossa história
usando palavras doces
disfarçando os medos
confiando nos sentidos

queria te dar alguma certeza
queria te ter na minha vida
agora e amanhã

saber lidar com os vazios
com as saudades

essa saudade que agora é muita
tanta e surda

não confia e nem acalma

só quer satisfazer-se as nossas custas
as custas de qualquer racionalidade
devorando todos os planos e amenidades

nos devolvendo corações em frangalhos

isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além

além-mar