26.1.15

faz ideia amor




encontrar o amor
e perder

encontrar o amor
embrulha, aperta, afrouxa, sossega, desinquieta

perder o amor
num mal entendido
num silêncio
no medo
num fim de semana distraído
numa lata de cerveja

pra encontrar o amor
coragem, só

e perder?

já tentei toda forma de desapego, mas é certo que vou perder as estribeiras no medo de cada esquina

e todo amor vendido insiste
queria evitar o engano e fugir, de tudo

a vida aperta mais um pouco, a gente se distrai e volta a se concentrar no que importa...
deixa a vida pra depois
e mais um pouco

vida
morte, deixa, deita, beija

urgência:
o pedaço de carne contra o peito
e a planta do pé queimando no asfalto

porque numa noite temos tudo, temos o amor, somos reis
na manhã seguinte, todo mundo é peão


22.12.14

amor


monotipia - cleiri c.

de repente senti uma angústia, o peito apertado, queimando, uma sensação estranha subindo do meio da barriga pro rosto, chegando nos olhos, querendo sair.

não sei se é medo por não saber como agir, o que esperar, por não achar que tenho, que sei, que posso.
medo de me desconectar, te perder, não ter onde me segurar, de não saber de você, não receber sua resposta.

senti ciúmes de cada parte sua, dos seus pensamentos, do seu coração, do seu corpo.

e não cheguei a conclusão alguma.
por mais que eu me determine a certas coisas, não faço ideia de como elas vão acontecer dentro de mim.
não sei o que quero.
mas sei que não consegui imaginar como seriam muitos dias longe de você, e me apeguei tanto a todos os dias que pudemos estar juntos, porque já estava sentindo sua falta.

nem sei se você se deu conta, do exagero.
e tive tanto medo de dizer que te amo, mas sinto, sinto demais.



24.11.14

meio doce, meio bruto

   







terra seca
garoa
sol
vento
água

um passo que tenta ser firme nos pedregulhos
um caminhar pelos pensamentos
que escapa

e nesse jeito de seguir
você passa a compor minhas imagens
texturas e gostos

confundo o fundo do horizonte
com a sensação do toque no seu rosto
como minha mão que escorrega pelas suas costas
e desenha uma montanha, lago, nuvem, riacho

a umidade do ar tem o gosto da sua boca
o entrelaçado das árvores
lembra nossa conversa emaranhada de anseio, vontade e afago

sigo misturando os sentimentos
na transmissão ruidosa dos meus medos

e na conversa mansa
de costas curvas, cadeira de madeira e olhar fosco
tudo se aquietou aqui dentro

a origem dos silêncios todos
do desassossego, do instante, da paciência
desse jeito meio doce, meio bruto

dessa vida contida
que precisa escapar

e quer
numa noite fresca


17.11.14

na minha




dormi pesado
junto dos sonhos cor de madrugada

o corpo moído não parou de doer
não queria levantar
todo errado

padronizado

a textura do travesseiro me fez sentir sua falta

fiquei mais um pouco
só pra sentir o tempo

ilhada: nem bom dia, nem talvez

só pra sair longe
as vezes é assim, nada passa sem rasgar

e no peso de ficar solta
me senti vaga

bambeando na linha fina
das fechaduras
das veias,
do paletó
e do vestido

na bagunça do meu coração
do sangue
da ira
na minha




4.11.14

presente, distante


caderno, 1989, Leonilson

essa saudade que vem brincar de tirar meu rumo
me distrai, encanta, enreda
toma conta dos espaços
abre portas esquecidas
passa suave como vento pela nuca
conta mentiras no meu ouvido
quer ser maior que eu
quer amar a dúvida
se esconde na minha cama
passa ligeira a mão na minha barriga
sente o ar que sai da minha boca
acha graça dos meus sonhos surrealistas

essa saudade
que insiste em ser vontade

essa saudade
que te faz presente
que te faz distante

que não quer saber de sossego
até te absorver