11.7.17

lembranças do comecinho











teve um tempo que eu fazia agendas e listas. as listas eram uma forma de lidar com a ansiedade e insegurança, quase sempre pra tentar me convencer de que ia ficar tudo bem. achei essa lista bem no meio do ano, no meio dos meus 23 anos, tanta coisa mudou e algumas, algumas continuam: tenho o Caio; passei num concurso inesperadamente e já me chamaram; a minha família me ajuda e está perto de mim; não vou mais ter que ser secretária; já terminei esse semestre da faculdade.

a faculdade era a Fatec, até ali tinha trabalhado como secretária de advogados e economistas em pequenos escritórios, experiências bem ruins e que não combinavam nada comigo. todos os chefes eram bem PSDBistas, diga-se de passagem, o cara do agronegócio era o agroboy filho do dono da empresa, que lucrava com a sustentabilidade e colecionava gado, e quando eu atendia o telefone tinha que dizer todos os sobrenomes + associados + bom dia, era um inferno. mas, a parte mais difícil é que pra conseguir esses trabalhos eu não podia ser mãe, muito menos uma mãe "solteira", a minha vida pessoal não existia, eu não podia contar do Caio e parte de mim não existia também.

pode parecer exagero, mas lembro de olhar no espelho do trabalho e não me reconhecer, me sentia uma carcaça sem vida e quando cruzava com uma mãe ou babá com crianças pequenas de mãos dadas ou num carrinho seguindo pela rua, no intervalo do almoço, não conseguia segurar o choro. acho que por isso até hoje sou exagerada e emotiva com qualquer possibilidade de ser verdadeira e de saber mais da vida das pessoas.

o concurso a que me refiro na lista era do Instituto Adolfo Lutz, pra oficial de apoio de atendimento, de nível básico, em que conheci os queridos do coração Irene, Roberta e Fernando. foi um tempo especial, a gente demorou uns 3 meses pra receber um salário, que era bem baixo, mas aprendi um montão de coisa. foi o primeiro emprego que pude levar o Caio pra conhecer, ele era bem pequeno ainda e muito fofinho, foi muito bem recebido por todos.

até hoje não tenho palavra pra descrever o que senti quando entrei naquele lugar segurando a mãozinha pequena e gordinha do meu filho. eu podia respirar aliviada enfim.


25.6.17

domingo de inverno




a mistura do calor e frio de uma manhã de domingo no inverno. o frio dos ponteiros do relógio que passam atravessados pelas noites, pelas vidas, pelos desejos e levam ligeiro o tempo de ficar mais um tanto num cobertor, num abraço. o calor de ainda se demorar um pouco mais na cama, com os olhos fechados sentindo, lembrando de um toque suave na pele...


14.6.17

contraverso




amor platônico
é clichê
é ão,
enjoa.
quero experimentar
o sol, o ruído, o contraverso
revés, espaldar, costas e pele
meia calça
atrito, sorriso
grito
tudo ou qualquer coisa
que não seja... pausa




10.6.17

17 ou 18 anos



é bem maluco isso, fiz essa pintura quando tinha uns 17 ou 18 anos, quando não fazia ideia que logo mais teria um filho...