15.6.16

quase de brincadeira




sigo com meus sentimentos fragmentados
carrego todos os seus pedaços comigo

de uma decepção
de um momento especial

vou guardando as sensações
e vou sentindo uma a uma, confirmando

dou uma olhada rápida antes de pisar
quase penso em parar, voltar

dá medo pular
mas pulo

dá vergonha dançar
mas balanço os ombros
movimento disfarçado, quase de brincadeira
e um abraço quando o rosto queima um pouco além da conta

as conversas se misturam
é estranho falar tanto, quase tudo de repente
tudo o que vai passando na cabeça
acompanhando a letra das músicas

seus olhos seguem os movimentos
suas palavras brincam com a confusão da embriaguez
os ombros recolhidos ficam amassados com o peso do meu corpo
que vai procurando se encostar de cima a baixo
no limite das roupas

a voz aos poucos fica sonolenta
um pouco mais baixa e perto do ouvido
o toque dos dedos nos lábios confirma o que se quer dizer
perpassando por baixo do tecido da camiseta

frio e calor
tudo em volta se afasta
fica a sensação quente
de um corpo pro outro
e da saudades de logo mais, que se antecipa um pouco...
e passeia pelos pensamentos da tarde


29.5.16

boa noite...





queria te encontrar,
deixar o tempo correr um pouco
sair do espaço vazio em que nos colocamos
deixar desaguar qualquer sentimento

queria tempo
você, eu
um olhar
qualquer palavra que dissesse alguma coisa de dentro

é estranho me sentir tão por fora,
distante

e o mal entendido tratou de nos desencontrar
os dias todos do feriado se transformaram em intervalos
com hora de começo e de acabar
quase um relógio de ponto
pra trazer ao descanso a sensação fria e vazia do controle cotidiano

boa noite
não respondo mais
como posso...
como posso insistir, brigar, sentir tudo sozinha

seus medos trataram de me convencer
nada mais importa... tudo bem.