11.10.14

esqueça, deixe pra lá




não quero não
saber de conselho
fui escolhendo sem querer
me perdi
e confundi todas as coisas

quis
procurei
fugi
fui fisgada por essa combinação
de amores

amores doces
brutos
sonhados
amores feitos de dia, suor e correria
feitos de noite, música e toque suave

de gente
de vontade
de mulher, homem, sexo, palavra
olhar, mãos, abraços
gestos, vozes
de devaneio




8.10.14

a parte toda insistência do mundo




o peso da rotina
arrasta o tempo
e quer nos tirar toda chance de sonho, amor, alegria

entre um intervalo e outro
paro de pensar em tudo
faço qualquer coisa torta ou ao contrário
só pra me sentir viva

chego em casa
tranco a porta
me perco na bagunça dos dias
dou uma volta
fujo de compromissos
e de qualquer coisa que não seja noite, dia, tempo, beijo

a parte toda insistência do mundo
só quero conseguir respirar
sentir o corpo
não sentir dor
reencontrar as pessoas
o doce e o azedo
embriagar
perder o medo
fazer amor


5.10.14

na saliva




talvez algum dia
dia sim
dia não
intercalado na cadência do samba

e se quiser
fica mais um pouco
chama
me puxa pelos punhos na sua direção
me deixa nas suas mãos

fala de paixão
de saudade
me aperta contra o peito
como abraço de despedida
como beijo de partida

bagunçando a ordem das coisas
desfazendo sonho
existindo
no cheiro, na pele,
na saliva


2.10.14

sentimentos





algumas músicas chegam
como vento forte carregado de folhas
na oscilação da voz
contam a história de todos os tempos

do tempo que se perdeu
de cor e sangue
alma e dor

cada toque suave e intenso no piano
é feito para nos transportar
e nos romper

a pele negra que brilha
de carne rija
e desejo veemente
transpira rouca sua canção

nos enchendo de uma mistura de angustia e alívio
por experimentar essas sensações
por existir

da fraqueza
nos faz fortes
e de cada nota
nos faz música,
tessitura
e desafogo

27.9.14

a instabilidade de todas as coisas




você ultrapassa todos os limites do exagero
e me faz perder o sentido
do que é real
de quem é você
e de quem sou eu

me confundo com as mensagens
me contradigo
me perco
numa lista infinita de desejos
e em poucos minutos de contato

o sonho é tão grande
é maior que eu!
e inevitavelmente vou me sentindo pouca

me sinto como a espectadora
dos meus filmes favoritos
sentada na primeira fileira
quase tocando cada cena
que passa, passa e passa rente...
dos olhos, das sensações, de mim

...

e vou seguindo
me colocando inteira
chegando aos pedaços
me perdendo nas contradições
do querer e do pertencer

me vejo solta na falta de medida
ora de amor
ora de dúvida
queria não me sentir coisa
objeto distante
sou a alma e a carne feita das necessidades mais comuns
amor, cuidado, desejo

e as vezes volto a me sentir
só como aquela menina
que perdeu seu chão e seu amparo
nos devaneios da vida
e só precisa ser acolhida num abraço
e encostar o rosto num ombro seguro

que inevitavelmente sofre
porque se depara com a instabilidade de todas as coisas